Carô Murgel

Ouvindo a cotovia

  • Pandorama

Jabuti de Poesia

Posted by acmurgel em 29/09/2009

caro-alice

Hoje a minha poeta favorita (e mais querida) ganhou o Jabuti de Poesia, pelo livro Dois em Um. Alice Ruiz é também compositora de algumas das mais belas letras que conheço. Pra vocês conhecerem seu trabalho: http://www.aliceruiz.mpbnet.com.br. Meu coração, em festa :-)…

minuto a minuto
quis
um dia
todo azul
no teu dia

meu querer
quero crer
azulou
teu dia a dia
tudo
que podia

(Alice Ruiz, em Dois em Um. São Paulo: Iluminuras, 2008.)

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Cicatrizes das Cidades

Posted by acmurgel em 17/09/2009

Fui recentemente conhecer a cidade de uma grande amiga. Passeamos por alguns lugares que foram importantes na vida dela, e enquanto caminhávamos, ela me contava como a cidade havia mudado. Alguns lugares que procuramos foram demolidos para dar lugar a novos prédios e estacionamentos, as grades encheram as praças, e fomos percebendo o quanto é difícil procurarmos a criança que fomos um dia em lugares que não existem mais.
Essa criança que fomos é a mesma que reconhece nos cheiros e sabores a lembrança de momentos marcantes, que dão sentido aos afetos e ao reconhecimento de um eu esquecido em algum lugar no tempo que ria e descobria mundos, e que formaram os adultos em que nos transformamos.
Os adultos que nos transformamos reconhecem as cicatrizes que a cidade deixa em nossa carne. Os momentos doídos, a dor de lugares que persistem em existir a despeito de momentos felizes que não se repetem mais. O restaurante em que almoçávamos sempre juntos e nos quais nos sentamos hoje com um só prato, que a despeito do burburinho cria uma redoma de silêncio e pesar, doendo. A vida está acontecendo ali, novos grupos e casais se sentam e almoçam sem se darem conta que a cada instante uma memória afetiva se cria.
Voltar para a nossa cidade ou viver em uma cidade que nos cortou a carne é sufocante, os lugares não são pedras tijolos grama e grades, são órgãos que ardem em nosso corpo, que ardem no corpo da cidade.
Creio que são nessas cicatrizes que nascem a vontade de transformação, de um lugar no futuro que seja construído apenas com cheiros e sabores, um lugar onde a criança que fomos (obrigada, Neruda), nos olhe e nos reconheça.

Fui recentemente conhecer a cidade de uma grande amiga. Passeamos por alguns lugares que foram importantes na vida dela, e enquanto caminhávamos, ela me contava como a cidade havia mudado. Alguns lugares que procuramos foram demolidos para dar lugar a novos prédios e estacionamentos, as grades encheram as praças, e fomos percebendo o quanto é difícil procurarmos a criança que fomos um dia em lugares que não existem mais.

Essa criança que fomos é a mesma que reconhece nos cheiros e sabores a lembrança de momentos marcantes, que dão sentido aos afetos e ao reconhecimento de um eu esquecido em algum lugar no tempo que ria e descobria mundos, e que formaram os adultos em que nos transformamos.

Os adultos que nos transformamos reconhecem as cicatrizes que a cidade deixa em nossa carne. Os momentos doídos, a dor de lugares que persistem em existir a despeito de momentos felizes que não se repetem mais. O restaurante em que almoçávamos sempre juntos e nos quais nos sentamos hoje com um só prato, que a despeito do burburinho cria uma redoma de silêncio e pesar, doendo. A vida está acontecendo ali, novos grupos e casais se sentam e almoçam sem se darem conta que a cada instante uma memória afetiva se cria.

Voltar para a nossa cidade ou viver em uma cidade que nos cortou a carne é sufocante, os lugares não são pedras tijolos grama e grades, são órgãos que ardem em nosso corpo, que ardem no corpo da cidade.

Creio que são nessas cicatrizes que nascem a vontade de transformação, de um lugar no futuro que seja construído apenas com cheiros e sabores, um lugar onde a criança que fomos (obrigada, Neruda), nos olhe e nos reconheça.

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Onde não há fumaça…

Posted by acmurgel em 09/08/2009

Rita Hayworth

Rita Hayworth no papel de Gilda

“Desconfia dos que não fumam: esses não têm vida interior, não têm sentimentos. O cigarro é uma maneira disfarçada de suspirar…”
Mário Quintana

Nos vários caminhos que a vida me levou, aprendi a prestar muita atenção aos discursos. Tenho uma desconfiança quase paranóica dos discursos institucionais. Temo por todos nós quando esses discursos viram leis. E me apavoro com a passividade e a “aprovação popular” a essas leis que interferem com o corpo e o livre arbítrio das pessoas. Alguém lembra do filme “Arquitetura da Destruição”? De como os discursos higienistas e estéticos foram a base do nazismo?

O controle dos corpos e do livro arbítrio das pessoas tem nome, se chama fascismo. As mulheres são as vítimas por excelência desse controle, seus corpos são controlados pelo estado e pela religião: o direito ao próprio corpo não existe, o aborto não é uma possibilidade.

Estou assistindo estarrecida ao que está acontecendo em relação ao cigarro: a lei que controla o livre arbítrio das pessoas tem adesão, dizem, de cerca de 84% da população. Os fumantes estão sujeitos agora à todo tipo de constrangimento, desde revólveres com água espirrada, da revista de seus pertences ao uso de pulseiras e carimbos para sair dos bares e restaurantes que já haviam se adaptado para receber as duas tribos, de fumantes e não fumantes.

Há algum tempo li num texto de Marcelo Coelho o quanto é irritante para as pessoas que têm medo da morte o “descaso” com que os fumantes seguem suas vidas independentes do medo, mesmo sabendo dos riscos que correm. Ora, correr riscos é o que se chama vida. É o que difere viver de sobreviver.

Conheço poucas pessoas, fumantes ou não,  que reagem à essas leis, que enxergam a fascistização da vida, que nos levará a passividade: ninguém beberá, ninguém fumará, ninguém fará sexo. Zumbis seguindo a ordem.

Os não fumantes que engoliram o discurso da passividade apontam para os fumantes como os mais prováveis responsáveis por quaisquer males que se abatam sobre suas vidas. Ninguém proíbe as densas fumaças negras que escapam dos ônibus e caminhões, responsáveis pela absurda poluição de uma cidade como São Paulo. Mas os fumantes pagarão por todos os males, terão seus braços marcados, quiçá tatuados com números, talvez tenhamos ainda a sorte de enviá-los a campos de concentração e rezar por seu extermínio. Se não param de fumar, que morram. Aliás, que morram todos os que se diferem, por qualquer motivo.

Viveremos ainda o mundo onde a norma será seguida à risca, onde os que não a seguem, portanto os “anormais” serão totalmente exterminados, onde não existirá mais o estranho, o estrangeiro. Onde todos estarão definitivamente sós.

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Citando Cartola: eu fiz o que pude

Posted by acmurgel em 02/08/2009

(O título é um trecho de Aldir Blanc, em “50 Anos”, parceria com Cristóvão Bastos)

Maysa

Assisti novamente ao especial  de Maysa, na TV Cultura. E fiquei deliciada com a postura da compositora e cantora ao responder para o Abujamra que “tudo é pessoal”, e que o que detestava era “autoridade”. Lembrei de uma frase das feministas nos anos 1970, que dizia que o pessoal é político.

O feminismo (já ouvi várias vezes nos últimos tempos) estaria ultrapassado. Cansei de ouvir mulheres afirmarem que não são “feministas”, e sim “femininas”. Sempre me surpreendo com esse “descarte” depois de tantas conquistas. Daí com um pouquinho de conversa percebo que é desinformação, mesmo. Essas mulheres vêem as feministas como mulheres “masculinizadas e mal-humoradas”, imagem que viria, inclusive, dos anos 1970.

As propagandas tratam as mulheres como objetos, isso não é novidade, mas me espantou, recentemente, uma propaganda do Seda Shampoo que faz alusão ao feminismo com frases do tipo “a maior luta das mulheres não é contra os homens, mas contra a lei da gravidade” (por favor, avisem aos roteiristas da propaganda que o feminismo não é nem nunca foi uma “luta contra os homens”!).

É claro que quando a gente fala em “lei da gravidade” a primeira coisa que vem à cabeça não são os cabelos, como sugere a propaganda, mas a paródia de Maysa: “meu peito caiu”. Pois é, tudo cai: o peito, as orelhas, o nariz, a bochecha, os olhos (sim, a vista cansada, infalível aos 40, vem da flacidez do músculo ocular, e não existem academias que dêem conta de malhar esse tal)… E nos homens também! Só que neles vira charme. Sei. E nas mulheres, não?

Envelhecer é algo delicioso. Gosto dos meus cabelos brancos, gosto de uma serenidade que adquiri depois de anos de muita ansiedade. Gosto de ler nas rugas que se formaram em meu rosto a minha história, o meu riso.

Gosto de lembrar que não “sou” nada, que “estou” em mutação constante, que posso mudar de idéia. Gosto de perder preconceitos, da compreensão que ganhei experienciando a vida. Eu fiz o que pude (e o que não podia), e adorei isso tudo. Continuo me deliciando.

Vejo as fotos mais antigas, como essa que postei no meu outro blog, com Tatiana Rocha, que tem exatos 22 anos, e é claro que percebo a diferença. Mas lembro bem que não me sentia diferente em relação à minha aparência do que me sinto hoje. É a mesma coisa, nunca me pensei como feia ou bonita, mas sempre gostei do que fui, com todas as crises que me acompanharam durante anos (e as que persistem até hoje). Tá certo, a briga com a balança hoje é maior, os quilos extras custam mais a nos deixar. Mas a ansiedade não. E teve o que vi, que não teria visto nem vivido se não estivesse hoje com 46. Vivi o tempo de Elis Regina, Cazuza, Janis Jobplin. Vi Itamar Assumpção com o Isca de Polícia. Luli & Lucina cantando e compondo juntas, lindas e loucas. Ainda pude viver em um mundo antes da AIDS, de amor livre, de deliciosa anarquia, que persiste em mim. Sim, meus olhos continuam buscando discos voadores no céu.

Então quis postar aqui um texto de uma dessas feministas que admiro muito, a Gloria Steinem. A Gloria foi (e ainda é) uma grande ativista nos anos 1970 e, vejam, foi coelhinha da Playboy no final dos anos 1950! Leiam, e me digam se falta humor às feministas…

Se os homens menstruassem
Gloria Steinem – 1978
In: Memórias da Transgressão. Tradução de Claudia Costa Guimarães. Rio de Janeiro: Record: Rosa dos Tempos, 1997.

Morar na Índia me fez compreender que a minoria branca do mun­do passou séculos nos enganando para que acreditássemos que a pele branca faz uma pessoa superior a outra. Mas na verdade a pele bran­ca só é mais suscetível aos raios ultravioleta e propensa a rugas.

Ler Freud me deixou igualmente cética quanto à inveja do pê­nis. O poder de dar à luz faz a “inveja do útero” mais lógica e um órgão tão externo e desprotegido como o pênis deixa os homens extremamente vulneráveis.

Mas ao ouvir recentemente uma mulher descrever a chegada inesperada de sua menstruação (uma mancha vermelha se espalhara em seu vestido enquanto ela discutia, inflamada, num palco) eu ain­da ranjo os dentes de constrangimento. Isto é, até ela explicar que quando foi informada aos sussurros deste acontecimento óbvio, ela dissera a uma platéia 100% masculina: “Vocês deveriam estar orgu­lhosos de ter uma mulher menstruada em seu palco. É provavelmente a primeira coisa real que acontece com vocês em muitos anos!”

Risos. Alívio. Ela transformara o negativo em positivo. E de al­guma forma sua história se misturou à Índia e a Freud para me fazer compreender finalmente o poder do pensamento positivo. Tudo o que for característico de um grupo “superior” será sempre usado como justificativa para sua superioridade e tudo o que for característico de um grupo “inferior” será usado para justificar suas provações. Ho­mens negros eram recrutados para empregos mal pagos por serem, segundo diziam, mais fortes do que os brancos, enquanto as mulhe­res eram relegadas a empregos mal pagos por serem mais “fracas”. Como disse o garotinho quando lhe perguntaram se ele gostaria de ser advogado quando crescesse, como a mãe, “Que nada, isso é tra­balho de mulher.” A lógica nada tem a ver com a opressão.

Então, o que aconteceria se, de repente, como num passe de mágica, os homens menstruassem e as mulheres não?

Claramente, a menstruação se tornaria motivo de inveja, de gabações, um evento tipicamente masculino:
Os homens se gabariam da duração e do volume.
Os rapazes se refeririam a ela como o invejadíssimo marco do início da masculinidade. Presentes, cerimônias religiosas, jantares familiares e festinhas de rapazes marcariam o dia.

Para evitar uma perda mensal de produtividade entre os pode­rosos, o Congresso fundaria o Instituto Nacional da Dismenorréia. Os médicos pesquisariam muito pouco a respeito dos males do cora­ção, contra os quais os homens estariam, hormonalmente, protegi­dos e muito a respeito das cólicas menstruais.

Absorventes íntimos seriam subsidiados pelo governo federal e teriam sua distribuição gratuita. E, é claro, muitos homens pagariam mais caro pelo prestígio de marcas como Tampões Paul Newman, Absorventes Mohammad Ali, John Wayne Absorventes Super e Miniabsorventes e Suportes Atléticos Joe Namath – “Para aqueles dias de fluxo leve”.

As estatísticas mostrariam que o desempenho masculino nos esportes melhora durante a menstruação, período no qual conquis­tam um maior número de medalhas olímpicas.

Generais, direitistas, políticos e fundamentalistas religiosos ci­tariam a menstruação (“men-struação”, de homem em inglês) como prova de que só mesmo os homens poderiam servir a Deus e à nação nos campos de batalha (“Você precisa dar seu sangue para tirar san­gue”), ocupariam os mais altos cargos (“Como é que as mulheres podem ser ferozes o bastante sem um ciclo mensal regido pelo planeta Marte?”), ser padres, pastores, o Próprio Deus (“Ele nos deu este sangue pelos nossos pecados”), ou rabinos (“Como não possuem uma purgação mensal para as suas impurezas, as mulheres não são limpas”).

Liberais do sexo masculino insistiriam em que as mulheres são seres iguais, apenas diferentes. Diriam também que qualquer mu­lher poderia se juntar à sua luta, contanto que reconhecesse a supre­macia dos direitos menstruais (“O resto não passa de uma questão”) ou então teria de ferir-se seriamente uma vez por mês (“Você precisa dar seu sangue pela revolução”).

O povo da malandragem inventaria novas gírias (“Aquele ali é de usar três absorventes de cada vez”) e se cumprimentariam, com toda a malandragem, pelas esquinas dizendo coisas tais como:
– Cara, tu tá bonito pacas!
– É cara, tô de chico!

Programas de televisão discutiriam abertamente o assunto. (No seriado Happy Days: Richie e Potsie tentam convencer Fonzie de que ele ainda é “The Fonz”, embora tenha pulado duas menstruações seguidas. Hilt Street Blues: o distrito policial inteiro entra no mesmo ciclo.) Assim como os jornais. (TERROR DO VERÃO: TUBARÕES AMEAÇAM HOMENS MENSTRUADOS. JUIZ CITA MENSTRUAÇÃO EM PERDÃO A ESTUPRADOR.) E os filmes fariam o mesmo (Newman e Redford em Irmãos de San­gue).

Os homens convenceriam as mulheres de que o sexo é mais prazeroso “naqueles dias”. Diriam que as lésbicas têm medo de san­gue e, portanto, da própria vida, embora elas precisassem mesmo era de um bom homem menstruado.

As faculdades de medicina limitariam o ingresso de mulheres (“elas podem desmaiar ao verem sangue”).

É claro que os intelectuais criariam os argumentos mais morais e mais lógicos. Sem aquele dom biológico para medir os ciclos da lua e dos planetas, como pode uma mulher dominar qualquer disci­plina que exigisse uma maior noção de tempo, de espaço e da mate­mática, ou mesmo a habilidade de medir o que quer que fosse? Na filosofia e na religião, como pode uma mulher compensar o fato de estar desconectada do ritmo do universo? Ou mesmo, como pode compensar a falta de uma morte simbólica e da ressurreição todo mês?

A menopausa seria celebrada como um acontecimento positivo, o símbolo de que os homens já haviam acumulado uma quantidade suficiente de sabedoria cíclica para não precisar mais da menstrua­ção.

Os liberais do sexo masculino de todas as áreas seriam gentis com as mulheres. O fato “desses seres” não possuírem o dom de medir a vida, os liberais explicariam, já é em si castigo bastante.

E como será que as mulheres seriam treinadas para reagir? Pode­mos imaginar uma mulher da direita concordando com todos os argu­mentos com um masoquismo valente e sorridente. (“A Emenda de Igual­dade de Direitos forçaria as donas de casa a se ferirem todos os meses”: Phyllis Schlafy. “O sangue de seu marido é tão sagrado quanto o de Jesus e, portanto, sexy também!”: Marabel Morgan.) Reformistas e Abelhas Rainhas ajustariam suas vidas em torno dos homens que as rodeariam. As feministas explicariam incansavelmente que os homens também precisam ser libertados da falsa impressão da agressividade marciana, assim como as mulheres teriam de escapar às amarras da “inveja mens­trual”. As feministas radicais diriam ainda que a opressão das que não menstruam é o padrão para todas as outras opressões. (“Os vampiros foram os primeiros a lutar pela nossa liberdade!”) As feministas cultu­rais exaltariam as imagens femininas, sem sangue, na arte e na literatu­ra. As feministas socialistas insistiriam em que, uma vez que o capitalis­mo e o imperialismo fossem derrubados, as mulheres também mens­truariam. (“Se as mulheres não menstruam hoje, na Rússia”, explicariam, “é apenas porque o verdadeiro socialismo não pode existir rodeado pelo capitalismo.”)

Em suma, nós descobriríamos, como já deveríamos ter adivinhado, que a lógica está nos olhos do lógico. (Por exemplo, aqui está uma idéia para os teóricos e lógicos: se é verdade que as mulheres se tor­nam menos racionais e mais emocionais no início do ciclo menstrual, quando o nível de hormônios femininos está mais baixo do que nunca, então por que não seria lógico afirmar que em tais dias as mulheres comportam-se mais como os homens se portam o mês inteiro? Eu deixo outros improvisos a seu cargo.

A verdade é que, se os homens menstruassem, as justificativas do poder simplesmente se estenderiam, sem parar.

Se permitíssemos.

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